quarta-feira, julho 16, 2008

Cartas de Amor.

Álvaro de Campos
(heterónimo de Fernando Pessoa)

Todas as Cartas de Amor
são ridículas

Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

17 comentários:

Paula Raposo disse...

Um modo especial de ver as coisas!!! Beijos.

Amaral disse...

Isabel
Que bem que fez em trazer-nos aqui este belíssimo poema.
Eu acrescentaria que todas as declarações do PM e demais ministros são ridículas.
Bjinho

peciscas disse...

Esse é um dos imortais poemas do Pessoa.
Est post faz-me recordar, com ternura, as primeiras cartas de amor que escrevi, à minha namoradinha de olhos azuis e cabelos louros. Teria eu uns 8 anos...
Seriam ridículas essas cartas de amor?
Seja como for, não são ridículas as memórias que conservo dessas cartas (seriam mais bilhetinhos que lhe entregava, subrepticiamente, a caminho da escola).
Mas, e aí estou de acordo com o poeta, ridículo será quem nunca escreveu cartas de amor. Ou, nos tempos de hoje, em que as cartas foram substituídas por outras formas de comunicação, ridículo será quem nunca mandou um sms de amor... Ou um e-mail...Ou...

Fatyly disse...

Sempre embirrei com este poema, ridiculo foi ele porque na volta não recebeu nem escreveu cartas de amor.

Como eram belas mas as que recebi e retribuia eram mais bilhetinhos que punha na carteira porque sabia que à tarde um rapazola sentar-se-ia naquele lugar. O teu trabalho está lindo.

Agora há emails e sms de amor, embora mande e receba noutra vertente do amor, de mãe, de filha e de avó:)
Pode ser que um dia receba uma ridicula de Pessoa:)

Beijos

Miguel disse...

Serão ...!?
Provavelmente ...!

Parabéns pela escolha ...!

Bjks da M&M & Cª!

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querida Isabel, lindo poema, aqui reproduzido... Parabéns Isabel...Beijinhos de carinho, fernandinha

Odele Souza disse...

Conheço este poema de Pessoa, mas nunca concordei com ele de que cartas de amor sejam ridículas. São lindas! Ridículo é não expressar sentimentos, é conter emoções é esquivar-se do amor.

O teu trabalho como sempre, está lindo.

Beijos!

SILÊNCIO CULPADO disse...

Isabel
Álvaro Campos, ou Fernando Pessoa nesta pele, é sempre o confronto e a contradição.O que é que não é rídiculo quando os sentimentos não passam pela reciclagem da "educação"?

Beijos

Maria Sá Carneiro disse...

Olá Isabel

Estive enfiada a estudar para os exames, espero que esteja tudo bem contigo.
Lindo poema.

Beijos

Maria

Maria Augusta disse...

Ridiculas ou não, como as cartas de amor são benvindas. Como ele mesmo diz, ridiculo é não escrevê-las...
Beijos e um bom dia para você.

Maria Clarinda disse...

Olá ! Mais uma vez aqui estou passando momentos maravilhosos no teu cantinho, cada dia mais lindo!!!!Jhs mil

Zé Povinho disse...

Quem não as escreveu, quem não foi "ridículo"?
Abraço do Zé

wind disse...

Belíssimo trabalho para um lindo poema:)
Beijos

Águas da Vida disse...

Para refletir!
Uma excelente quinta-feira querida Isabel.
Big Kiss

Paulo Sempre disse...

Concordo, visto por esse prisma.
Beijo

Zé do Cão disse...

Fui-me abaixo. Sinto-me ridiculo.
Abraços e Bj.

Um Poema disse...

...
Serão?... Talvez!

Um abraço