... Boa Semana ...
Bj.,
Isabel
Neste local vou dividir com os que me honrarem com a sua visita as minhas criações (e não só), sobre diversos temas, embora prevaleça o tema "Mulher". A maioria dos trabalhos é feita em PSP (Paint Shop Pro). Algumas imagens (Tubes) utilizadas, foram conseguidas na Net, através de Grupos de Estudo do PSP. Se alguém se sentir lesado em termos de direitos autorais, pfv entre em contacto comigo, a fim de poder ser dado o devido crédito, ou apagado.. Comentem... deixem a vossa opinião. OBRIGADA.
África Dela
Eu nunca tive uma casa em África
mas Niza teve.
Nunca vi os pássaros alvorecendo no céu ateado de luz
mas Niza viu.
Nunca andei na longa estrada com os pés encarnados molhados de terra
mas a Niza andou.
Nunca senti o cacimbo arrefecendo a madrugada azul do palmar
mas a Niza sentiu.
Nunca brinquei com o macaco pequeno no dia dos meus anos
mas a Niza brincou.
Nunca comi o fruto da mangueira doce de sol e açúcar
mas a Niza comeu.
Nunca corri nas imensidões de areia acelerado sobre a rebentação
mas a Niza correu.
Nunca ouvi o batuque avançado descontrolado pelo meu corpo
mas a Niza ouviu.
Nunca descansei à sombra da árvore grande
mas a Niza descansou
Nunca cheirei o fogo espalhando a terra e o vento
mas a Niza cheirou.
Eu nunca voltei a África
mas a Niza regressou.
Fernando Camecelha
(Prefácio do Livro Volta à Zambézia, de Niza Paiva)
Este poema encontrei-o no Blog Livro e Autores , e não resisti a ilustrá-lo. De tudo o que o poema diz, e que não me aconteceu, é que eu não voltei a África.
Tenham um lindo fim-de-semana.
Beijos,
Isabel
Foi no domingo passado que passei
à casa onde vivia a Mariquinhas,
mas 'stá tudo tão mudado
que não vi em nenhum lado
as tais janelas que tinham tabuinhas.
Do rés-do-chão ao telhado
não vi nada, nada, nada
que pudesse recordar-me a Mariquinhas,
e há um vidro pregado e azulado
onde havia as tabuinhas.
Entrei e onde era a sala agora está
à secretária um sujeito que é lingrinhas,
mas não vi colchas com barra
nem viola, nem guitarra,
nem espreitadelas furtivas das vizinhas.
O tempo cravou a garra
na alma daquela casa
onde às vezes petiscávamos sardinhas
quando em noites de guitarra e de farra
estava alegre a Mariquinhas.
As janelas tão garridas que ficavam
com cortinados de chita às pintinhas
perderam de todo a graça
porque é hoje uma vidraça
com cercadura de lata às voltinhas.
E lá pra dentro quem passa
hoje é pra ir aos penhores
entregar ao usurário umas coisinhas,
pois chega a esta desgraça toda a graça
da casa da Mariquinhas.
Pra terem feito da casa o que fizeram
melhor fora que a mandassem pras alminhas,
pois ser casa de penhores
o que foi viveiro d'amores
é idéia que não cabe cá nas minhas
Recordaçoes do calor
e das saudades. O gosto
que eu vou procurar esquecer numas ginginhas,
pois dar de beber à dor é o melhor,
já dizia a Mariquinhas.---
"Vou Dar de Beber à Dor",
letra e música de Alberto Janes, intérprete Amália Rodrigues.
A todos vós, dedico esta imagem, desejando-vos um dia feliz.
Beijos,
Isabel
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Então vota no selo que se encontra na barra lateral.
Obrigada
A arte pode vencer a natureza, desde que o artista deixe nela a sua marca
Miguel Ângelo
... e como hoje é 6ª feira ...
é dia de te desejar um bom fim-de-semana.
beijos meus.
Isabel
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