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terça-feira, abril 24, 2007

Uma Casa ...

Foi no domingo passado que passei

à casa onde vivia a Mariquinhas,

mas 'stá tudo tão mudado

que não vi em nenhum lado

as tais janelas que tinham tabuinhas.

Do rés-do-chão ao telhado

não vi nada, nada, nada

que pudesse recordar-me a Mariquinhas,

e há um vidro pregado e azulado

onde havia as tabuinhas.

Entrei e onde era a sala agora está

à secretária um sujeito que é lingrinhas,

mas não vi colchas com barra

nem viola, nem guitarra,

nem espreitadelas furtivas das vizinhas.

O tempo cravou a garra

na alma daquela casa

onde às vezes petiscávamos sardinhas

quando em noites de guitarra e de farra

estava alegre a Mariquinhas.

As janelas tão garridas que ficavam

com cortinados de chita às pintinhas

perderam de todo a graça

porque é hoje uma vidraça

com cercadura de lata às voltinhas.

E lá pra dentro quem passa

hoje é pra ir aos penhores

entregar ao usurário umas coisinhas,

pois chega a esta desgraça toda a graça

da casa da Mariquinhas.

Pra terem feito da casa o que fizeram

melhor fora que a mandassem pras alminhas,

pois ser casa de penhores

o que foi viveiro d'amores

é idéia que não cabe cá nas minhas

Recordaçoes do calor

e das saudades. O gosto

que eu vou procurar esquecer numas ginginhas,

pois dar de beber à dor é o melhor,

já dizia a Mariquinhas.---

"Vou Dar de Beber à Dor",

letra e música de Alberto Janes, intérprete Amália Rodrigues.

A todos vós, dedico esta imagem, desejando-vos um dia feliz.

Beijos,

Isabel

És contra a violência dos animais?

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Obrigada